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sábado, 16 de novembro de 2013

Não prenderam Roberto Jefferson! Tá, e daí?! --- Das aventuras do Batman ao golpe de estado --- Mulher não gosta de michê dos barões da mídia



TÁ, E DAÍ?

Raul Longo*

O jogo de dominó seguia furibundo desde que entrei no boteco. Tanto que nem me atrevi a perguntar pela razão da tanta circunspecção, levando por conta da vontade de vitória das parceiradas: Mobília e Agito contra o Tá e o Daí.

Apenas intercalado pelo “plequet!” seco da jogada da peça num extremo da carreirinha preta de bolinhas brancas, o zumbir solitário de uma varejeira foi interrompido pelo vozeirão de contrito deboche do Mobília:

- Cês viro! Até o Genoíno, herói nacional da guerrilha contra a ditadura!

Outro “plequet” seguido de um olhar de desafio para o Agito. Desafio como num oferecimento:

- Tá!

Agito rodeou, rodeou, mas aceitou a oferta e soltou a pedra em meio ao desabafo:

- Deviam ter matado como comunista! Mas não faz mal... Não foi como terrorista, vai como petralha!

Ao invés de olhar pra carreirinha disposta ali na mesa, o jogador seguinte ficou encarando o adversário na espera da solução de outro, até perguntar:

- E daí?

De trás do balcão, Seu Manuel farfalhou virando a página do jornal:

- É uma besta! Não viram a foto da fachada da casa desse Jesuíno? Não entendo pra que serve ser presidente do partido da presidência e do maior esquema de corrupção da história do Brasilê, e viveire numa casa d’onde dentro não cabe nem o Mobília?

Mobília virou-se para olhar onde não caberia, mas não se comoveu nem disse nada. E o arremate do Seu Manuel ficou no ar:

-  E ainda dizem que o burro sou eu...

Mobília olhou a ponta de cá da carreira, olhou a ponta de lá... Calculou e por fim decidiu, ainda que meio na dúvida, num “plequet!” meio xoxo. Jogou pedra e conversa fora:

- Gostei foi daquela muié: “Prova num tem, mas condeno assim mesmo”. Isso é que é sê macha!

Mal foi terminar de falar e, ligeiro, o “plequet” seguinte estalou:

- Tá!

Agito desconversou pra ganhar tempo no cálculo das pedras na mesa e as da mão:

- Pra que prova? Qué mais prova do que a corrupção do Waldomiro Diniz?

Dessa vez não deu pra ouvir o ruidinho no tampo da mesa, encoberto pelo sotaque do português:

- Ô pá! Aí está a prova de como é burro! Pra que raios foi se meter logo com o Carlinhos Cachoeira! Se não foi com o Cachoeira, foi com algum compadre do bicheiro. Com bicheiro não se pode mexer, pois que dá é nisso! O homem foi buscar a corrupção do Diniz lá no governo do Garotinho! Como diz o oitro: quem se mete com garotinho, amanhece...

Absorveu-se na leitura na página seguinte do jornal sem completar o dito do “oitro”, enquanto num gesto, passando a vez, o adversário perguntou mesmo sem descer pedra alguma:

- E daí?

Mobília mensurou a mão, a mesa. Fez que descia uma, segurou e deixou-se na prosa, disfarçando o vacilo:

- Dirceu e Genoíno podem até não ter culpa de coisa nenhuma, mas que o Delúbio entrou no Caixa 2, entrou! Esse meteu a mão no baleiro!

Por fim deitou a pedra que o da sequência demonstrou ser exatamente a que esperava num “plequet” que soou sonoro, espantando pra rua o zumbido da mosca sem que ninguém a notasse, atentos à exclamação do Seu Manuel pela foto do jornal:

- Aí Jesus! Olha que linda a casa do sítio do Roberto Jefferson! Este cá, sim, é que é um gajo experto. Eu também guardo aqui minha caixinha separada pra ajudar o genro na política. Se Deus quiseire, na próxima ele se elege e ainda vou a ter um sítio como esse. Vejam que brinco!

- Tá!

Surpreso, Mobília confessou-se sem jogo pra sua pedra única, passando a vez pro Daí que sorriu ao parceiro e depois pro Agito:

- E daí?

Agito desconfiou, mas não quis acreditar. Passou o mesmo olhar pro próximo, na esperança de que soltasse uma abertura pro parceiro bater daquela vez. Primeiro de um depois de outro, as respostas vieram em sequência como se das duas pontas na carreira de peças de dominó:

- Tá!

- E daí?...

Agito entendeu:

- Porra! Ocê fechou o jogo!

Irritado pelo final abrupto, começou a exigir:

- Isso é fugir da jogada. Tem de contar os pontos da mão... - mas já era tarde e se deu conta do ridículo. Tinham perdido a melhor de três e a “nêga”. Ali era só um tapetão arranjado pra cozinhar nova torcida que, em mim, se percebeu desinteressada.

Mesmo que tivessem menos pontos na mão - e por mais que blefasse sabia estarem carregados -, aquela rodada não queria dizer nada. O jeito foi ficar só na ameaça vazia:

- Vai ter volta!

O Tá e o Daí saíram deixando a conta do Seu Manuel pros perdedores que reclamaram:

- Pô Seu Manuel, o Senhor entregou o jogo!

Aproveitei pra pagar minha cachaça enquanto o dono do bar se defendia:

- Coisa alguma! Acham que sou burro! Tá escrito aqui, mas fiz como o Jornal Nacional, nem lembrei que o único que ainda não teve a prisão expedida pelo Joaquim Barbosa foi o Jefferson. Esse Joaquim, apesar de tiziu...

Enquanto o português tecia orgulho pátrio evocado pelo nome do Presidente do Supremo, fui ao banheiro fugindo de seus preconceitos racistas. Na volta, já de saída, ouvi-o considerar aos fregueses prediletos:

- Na próxima meu genro há de ganhar. A caixinha está gorda e é só esperar pelo partido ao qual o Barbosa se define. Torço para que substitua esse paneleiro do Aécio, assim o genrinho nem precisa sair do PSDB. Mas mesmo que o negão vá pro PSOL, meu cunhado que trabalha com filho do Barbosa lá na Globo já está a mexer os pauzinhos.

De saída, dei meu palpite:

- Ô seu Manuel!... Mas e o Mensalão Tucano, o do Eduardo Azeredo?

- Ah!... Mas esse já está a caducar, vai prescrever! O Barbosa é preto, mas não é burro! Nem eu que não sou Joaquim, mas sou Manuel!

Caí fora enquanto era tempo, mas ouvi o zumbido da mosca azul voltando pra dentro do boteco.

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Humor negro no Jornal da Record

Depois da reportagem sobre a prisão de Dirceu, o Jornal da Record de ontem, 15/11, exibiu matéria sobre a realização do sonho de um menino que se recupera de leucemia. O espetáculo foi montado em São Francisco, Califórnia, que, por algumas horas, se transformou em Gotham City. O final feliz ocorre com a prisão do Coringa e o povo aplaudindo o justiceiro Batman


É assim que as aventuras midiáticas culminam em golpe de estado


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Roberto Jefferson poderá morrer se for preso, diz defesa

14 de outubro de 2013 


Réu que denúnciou o esquema foi o primeiro a apresentar recurso nesta leva de embargos; defesa pede que ele seja perdoado devido ao seu estado de saúde

FELIPE RECONDO - Agência Estado
Na primeira leva de mensaleiros que devem ir para a cadeia, o ex-deputado Roberto Jefferson pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o perdão judicial ou ao menos para não ser preso e cumprir uma pena alternativa. Se for preso, argumentam os advogados, Jefferson poderá morrer.
Veja também:


Defesa de ex-deputado pediu perdão judicial em recurso - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Defesa de ex-deputado pediu perdão judicial em recurso
O novo recurso de Jefferson é o primeiro da leva de embargos que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, adiantou que seriam meramente protelatórios. Os recursos devem ser rejeitados, o que abrirá caminho para a prisão imediata de Jefferson e outros 12 condenados que não têm direito a novo julgamento.
Condenado a 7 anos e 14 dias pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jefferson alega que suas declarações à época foram fundamentais para a descoberta do esquema do mensalão e consequente punição dos envolvidos. Apesar disso, sua pena foi reduzida em um terço. A defesa sustenta que, em razão de sua ajuda, a punição poderia ser perdoada ou reduzida em pelo menos dois terços.
"Não há qualquer razão para que não se tenha ofertado ao embargante o perdão judicial nos moldes previstos pela própria Lei de Regência. O que mais se poderia exigir das declarações do embargante?", questiona a defesa.
Caso não seja perdoado, Jefferson pede para não ir para a cadeia, cumprir pena alternativa ou, em última hipótese, para cumprir a pena em casa. "Tendo em vista o gravíssimo estado de saúde em que ele se encontra", alegam os advogados, a pena imposta a Jefferson deveria ser substituída por pena alternativa "por uma questão legal e, acima de tudo, humanitária". Caso contrário, afirma a defesa, a prisão seria para Jefferson "verdadeira pena de morte!".
Conforme laudo médico apresentado pelos advogados, Jefferson é "portador de Síndrome Metabólica" caracterizada por diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica e histórico de obesidade. Além disso, em 2012, Jefferson passou por tratamento para combate a câncer no pâncreas. Desde então, Jefferson toma remédios para diabetes, remédios para pressão e suplementos vitamínicos.
"Ressaltamos que o uso diário das medicações prescritas assim como o acompanhamento médico regular pela equipe assistente são fundamentais para a manutenção da estabilidade clínica do paciente, sob risco de agravamento potencialmente de seu quadro", afirmam os médicos que o atendem.

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De Daniel Sampaio: 

CONVITE
Caros amigos e amigas, gostaria muito que estivessem presentes num debate sobre os meus dois últimos livros – Labirinto de Mágoas e Diário dos Tempos da Crise – que se realiza no dia 4 de Dezembro (quarta-feira) às 18,30h no piso 7 (restaurante) do El Corte Inglés, em Lisboa.

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De nossa colaboradora-correspondente Urda Alice Klueger:

Olá Amigos! 
Convido-os para prestigiar a exposição Luz de Aruanda - de Sally Satler e minha -  com fotografias do Candomblé e Umbanda em Blumenau. 

Abertura 18 de novembro às 20h - Museu da Família Colonial - Blumenau. 

E dia 19 de novembro tem a exibição e debate do Documentário: Cultura Negra: Identidade e Diferença em Blumenau.
Semana de debates e valorização da cultura afro-brasileira em nosso país e nossa cidade!!!
Abraços, 
Carla Fernanda 


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De...
Boletim de Atualiazação - Nº 331 - 15/11/2013

...para a PressAA...


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Megafuracão Haiyan, que devastou Filipinas, deveria tornar autoridades e poder econômico mais propensos a ações contra aquecimento global. Mas eles permanecem imóveis.... Por Walden Bello

Grupo de jovens brasileiros relata: negociações climáticas seguem em impasse; lançado novo mapa de riscos do aquecimento global; povos indígenas debatem alternativas. Pela Agência Jovem de Notícias

“Vivo entre o macho-jurubeba da minha origem do Sertão e o macho em busca da delicadeza perdida aqui nesta urbanidade babilônica”. Por Xico Sá, a convite de Outras Palavras
POR 
XICO SÁ
14/11/2013
131114-PicassoPan
“Vivo entre o macho-jurubeba da minha origem do Sertão e o macho em busca da delicadeza perdida aqui nesta urbanidade babilônica”
Por Xico Sá | Imagem: Pablo PicassoA Flauta de Pan (1923)
Em diálogo com:
Na luta feminista, há muito espaço para os homens. Mas alguns deles, tão convictos e extremados, querem… indicar-nos o caminho!
Por Marília Moschkovich

Há quem veja sim machismo nas minhas crônicas, há quem diga que sou um macho feminista, há quem suspire (rs) “ah se todos os machistas fossem iguais a você”. Nesse carnaval, eu mesmo escancaro as minhas contradições: vivo entre o macho-jurubeba da minha origem do Sertão e o macho em busca da delicadeza perdida aqui nesta urbanidade babilônica.
Discordo do artigo da Marília, mas é um texto elegante e creio que respeita as minhas contradições. É o ponto de vista dela, minha gente, com a razão dela – a leitura que ela aprendeu a fazer do mundo. Não existe isso do que seja o certo ou verdadeiro. A única certeza é a contradição.
Fiquei muito orgulhoso, aliás, quando ela me põe junto com o Vinícius de Moraes. Aí ela mata, decifra a origem literária das minhas crônicas: sou uma cria da costela daquele lirismo da turma do poeta e mais do Antônio Maria (“ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor…”), Paulo Mendes Campos, Rubem Braga etc.
Creio que não existe polêmica possível entre o que Marília defende e o meu amor derramado pelas mulheres. Ela tem o amor sincero dela, eu tenho a minha sinceridade em uma certa prosa poética – não escrevo discurso ou tese, escrevo literatura ou algo próximo disso.
Comentário destacado por PressAA:

Sandra Seabra Moreira
Posted novembro 14, 2013 at 6:20 PM
Quem se aprofunda nas questões feministas não lida com dados subjetivos, ou com relativização da verdade, com “pontos de vista”. Lida com dados reais e brutais sobre a violência contra a mulher, por exemplo. Daí ser muito bobo, quase ingênuo, considerar “feministas” as crônicas do Xico Sá. Lê-las é um passatempo, como ler horóscopo, quando bem escrito. E, sob um ponto de vista pessoal, penso que os dramas do macho certamente seriam minorados se eles pudessem sair de seus egocentrismos, e pudessem deslocar seus pontos de observação. Mas é difícil fazê-lo enquanto o medo de perder o pódio secular está nas entranhas. Entre lá e cá, parece que o mais sensato é colocar a mulher também em algum lugar de destaque: uma passarela! E derramar sobre ela todo esse amor incontido de macho, como pétalas de rosas provindas de um céu de bem-aventurança, que se espraiam pelo teclado, blog, mundo virtual. Esse culto é bom demais na intimidade, mas quando lido tem gosto de final de domingo.
E que o patriarcalismo, suas mazelas, vítimas e toda a ignorância circundante passem bem longe, que é para não chamuscar de mal estar esse amor de macho tão pouco convencional. Mas se está rendendo polêmica, “curtir” e “compartilhar”, alguém mais vai reclamar? Para variar, somos nós, mulheres, nossas estrias ou a falta delas, nossas gordurinhas ou a falta delas, nosso cabelo branco ou tingido, a inspiração que falta quando a tela está em branco e não escrever é o mesmo que ficar sem salário.
PressAA: Uma forma delicadamente feminina de chamar o cara de pena de aluguel, michê dos barões da mídia. "Ficar sem salário" e, consequentemente, sem mulher.

Erro grosseiro do STF condena bodes expiatórios para evitar debate sobre financiamento empresarial dos partidos – o principal mecanismo de corrupção no Brasil. Por Antonio Martins (publicado em 17/9/2013)

Há pouco, Dilma disse que brasileiros deveriam sentir orgulho do empresário. Hoje, ele vende seu império ao capital estrangeiro. Por Armando Sartori

Reportagem sobre servente de pedreiro que desapareceu em 14/7, na favela da Rocinha. Como vive sua família; como foi sua prisão. Por Tânia Caliari, no Retrato do Brasil

Após três meses de silêncio, empresa do governo paulista admite ocorrência, que considera “normal”. Matérias revelam sucessão de falhas, cada vez mais graves. Por Tadeu Breda Vinicius Gomes

Documento inédito mapeia situação dos vendedores informais no país e mostra que eles já são afetados pelos preparativos para Copa-2014.. Por Andrea Dip, em APublica

Filme de autor por excelência, obra de Frederico Machado enfatiza cores, respirações e instrumentos que e atravessam fronteira real-onírico e sugerem sexo e morte iminentes. Por José Geraldo Couto, no blog do IMS

Num mundo racional, em que tudo é previsível, melancolia é tratada como doença. Deve a humanidade reagir a esse desígnio? Por Arlindenor Pedro

Ameaçar chamar o zelador, outro macho, para invadir território do Valter e executar o que era dele esperado, era demais... Por Ney Pereira, editor do blog Casos Crônicos

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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

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Fiscais da Mídia: Xeque-Mate- Notícias: CARTA A PIZZOLATO

Fiscais da Mídia: Xeque-Mate- Notícias: CARTA A PIZZOLATO: Xeque-Mate- Notícias: CARTA A PIZZOLATO : Xeque - Marcelo Bancalero Assino a carta e o pedido nesta feito pelo companheiro  Betinho Duarte...

Matrix - Os USA antenados


como fato inedito ao Blog Juntos Somos Fortes,  são norte americanos, quem nos leem em maior número no dia de hoje, 16/11/2013.

As postagens mais lidas, no intervalo de 14 às 16 h,  foram nessa ordem

"Há interesses políticos em desvalorizar a Petrobr...
07/02/2013
18
Ásperos Tempos em Tempo Aspero! A Guerra de Guerri...
15/11/2013
17
a velha mídia golpista
16/11/2013
14
Jango, Dirceu e as batalhas da história
15/11/2013
10
CARTA DE HILDEGARD ANGEL - O DIA INTERNACIONAL DA ...
12/03/2012, 2 comentários
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Coincidencias dos assuntos?


Viva MATRIX, MATRIX vive!

Adelante, não dobraremos os joelhos, a luta continua.
 — com Neusah Cerveira eoutras 14 pessoas.

CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO

O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando – e violando – garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.
A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político.
Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça.
É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha – contra a qual ainda cabe recurso – com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF.
Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento.
Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada.
Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais.
Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados – violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República.
Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político.
Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites.
Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma.
Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania.

Vinhedo, 15 de novembro de 2013
José Dirceu

a velha mídia golpista






imagem retirada de um artigo da Carta Maior, vale conferir a integra:http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FAs-manchetes-do-golpe-militar-de-1964%2F4%2F15195 

fui a pouco à padaria. Me recuso a comprar o café com leite ( tempo, página virada- será?), então fui só comprar o café, quando já no caixa, e vejo que o jornal fascista A Tribuna ( aquele que demitiu o Gaspari por causa do artigo falando ao ES ,o que o mundo inteiro já sabia: a condenação do estado em Tribunais internacionais por crimes de tortura em presídios e delegacias) trazia como manchete: ' Justiça Neles"! e a foto Zé Dirceu e Zé Genoino.

Imediatamente , viajei ao tempo negro, naquele momento achei que estava de volta a um primeiro de abril , manha de 1964,  quando a mídia golpista, retratava em manchetes a falácia, conhecida de todos ainda hoje: 'reestabelecida a ordem EmpossadoMAZZILI ....' o BOÇAL.

Agora, iniciando essa postagem, recordo do piquete feito na porta da rede tribuna, na década de 70/80, por jornalistas revoltados com o direcionamento que os donos da mídia/sistema queriam impor a eles. A Verdade não tem dono, LUTARAM.


Preciso saber em que tempo estamos.

Rosini Amaral, Carmélia de Souza, Graça Tardin, alguns dos que estiveram na greve, peço: Olhai por nós! Não fazem mais jornalistas como antigamente. bj



vale a integra, mas especificamente , fica o destaque a fim de reflexão:


'...Agora, iniciando essa postagem, recordo do piquete feito na porta da rede tribuna, na década de 70/80, por jornalistas revoltados com o direcionamento que os donos da mídia/sistema queriam impor a eles. A Verdade não tem dono, LUTARAM.


Preciso saber em que tempo estamos.

Rosini Amaral, Carmélia de Souza, Graça Tardin, alguns dos que estiveram na greve, peço: Olhai por nós! Não fazem mais jornalistas como antigamente. bj.'

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Jango, Dirceu e as batalhas da história

Jango, Dirceu e as batalhas da história

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador: Quis o destino que o corpo do presidente João Goulart chegasse a Brasília no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal concluiu etapa substancial do julgamento do “Mensalão” – o que deve levar ex-dirigentes petistas para a cadeia, entre eles o ex-ministro José Dirceu.
Dilma emocionou-se ao lado da viúva de Jango, na homenagem ao presidente deposto. De alguma forma, Dilma é a ponte entre duas tradições políticas: o trabalhismo de Vargas/Jango/Brizola e o PT. Ao fim da ditadura (depois de pegar em armas, sendo presa e torturada), Dilma escolheu o PDT de Brizola para atuar politicamente. Dilma já fez elogios abertos a Jango e à tradição brizolista.
Curioso que o PT tenha surgido nos anos 70/80 com um discurso de crítica à herança trabalhista. Mas, no poder, Lula aproximou-se da simbologia e das tradições varguistas. Curioso também pensar que, se o “Mensalão” não tivesse existido, hoje o presidente talvez não fosse Dilma, mas exatamente o ex-ministro agora ameaçado de prisão. “Se”. Se Gighia não tivesse acertado aquele chute rente à trave, o Brasil não teria perdido do Uruguai em 1950… Como dizem os comentaristas, não existe “se” no futebol. Nem na política. Nem na vida.
Ainda assim, é possível estabelecer paralelos entre os ataques sofridos pelo PT e o lulismo e aqueles desferidos contra Vargas e Jango. Vargas – não resta dúvida – foi um ditador nos anos 30 e 40. Mas em 1950 voltou ao poder como líder democrático, e foi acuado pelo conservadorismo a serviço dos Estados Unidos. Lacerda tentou cobrir Vargas com o “mar de lama”. Nos anos 50, o discurso udenista sustentava que Vargas comandava um governo corrupto. Contra Jango, em 1964, pesavam as mesmas acusações, e ele ainda era apontado como líder de uma certa “República Sindicalista”.
Vargas deu um tiro no peito em 1954, dentro do Palácio. Jango foi derrubado por um golpe. Na época, a imprensa golpista comemorou: “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas” - era o que dizia a “Tribuna da Imprensa”, jornal de Carlos Lacerda.
Mentira, claro. Jango tinha apoio popular – era o que indicavam as pesquisas às vésperas do golpe, como mostra Jorge Ferreira, em excelente livro sobre Jango. A imprensa golpista de 64 criou o clima de caos e deu a impressão de que todos queriam o golpe. Jango não saiu “escorraçado” do poder. Foi derrubado.
“O Globo” também curtiu e compartilhou a ditadura: “Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos” – dizia editorial de Roberto Marinho. Aqui, na Carta Maior, você lê outros textos publicados por nossa brava imprensa democrática, nos dias seguintes ao golpe.
Certos setores de esquerda cultivaram durante anos a tese de que Jango foi “covarde” por não reagir ao golpe. Quem acompanhava de perto o presidente deposto diz que ele estava preocupadíssimo com uma possibilidade: se resistisse, daria aos golpistas a desculpa para pedir a intervenção dos Estados Unidos. Numa conversa recente, o jornalista Mauro Santayanna disse a um grupo de blogueiros que teve o prazer de ouvi-lo: “Jango temia a divisão física do Brasil”. Assim como haviam feito na Koreia (e como fariam depois no Vietnã), os EUA poderiam intervir e dividir o Brasil em dois. Jango preferiu manter a integridade territorial brasileira. Teoria conspiratória?
Durante anos, a ideia de que Jango teria sido envenenado em 1976 (durante o exílio) também parecia uma “teoria conspiratória”. Por insistência da família Goulart, o Brasil finalmente vai tentar descobrir a verdade. Foram muitos anos, e talvez os traços de um suposto veneno já não possam ser encontrados. Mas o governo Dilma toma uma atitude de imenso valor simbólico. O corpo exumado em São Borja (RS) foi levado a Brasília.
Jango “acovardado-escorraçado” dizia Lacerda. Jango estadista, recebido com honras de chefe de Estado. A história se escreve lentamente. O passado está sempre em disputa.
Dirceu, em algumas horas, pode ser preso como símbolo do “maior escândalo da história” – como dizem os mesmos jornais golpistas de 64. A imprensa podre quer mostrar Dirceu algemado, humilhado – da mesma forma que Lacerda tentou humilhar o presidente deposto em 64.
Dirceu pode ter cometido erros. Mas está sendo condenado sem provas. Isso está claro. “Escorraçado, amordaçado e acovardado” - assim jornais e revistas gostariam de ver o homem que comandou a “virada” do PT rumo ao poder. Pelo que se conhece da história de Dirceu, não vai se acovardar.
No curto prazo, parece derrotado politicamente. Jango também parecia derrotado inexoravelmente em 64. Quase 50 anos depois, recebe as justas homenagens no Palácio. A vítima de 64 não foi Jango, mas a democracia brasileira.
Derrubado pela Guerra Fria, pelos Estados Unidos e o conservadorismo brasileiro, Jango é o estadista, vitorioso. Lacerda e os golpistas estão derrotados pela história. ”O Globo” pede desculpas envergonhadas pelo apoio ao golpe criminoso.
Que papel estará reservado a Dirceu na história brasileira? “Maior vilão do país”? “Chefe da quadrilha”? É o que berram por aí blogueiros rotweiller, editorialistas decadentes, revistas ligadas a bicheiros…
Quem venceu a batalha? A Globo? A Veja e seus asseclas judiciais? Ou o homem que ajudou a construir um governo que – apesar de tantos erros e recuos - prestou homenagens a Jango, e tenta acertas as contas com a Democracia?
A História se escreve lentamente. Ainda mais no Brasil.
ATENÇÃO: Blog da Dilma tá participando pelo 5º ano consecutivo do Concurso TOP BLOG 2013, Categoria Política Profissional. Precisamos do teu voto e apoio na divulgação: http://www.topblog.com.br/2012/index.php?pg=busca&c_b=11508